Contos

E O BRASIL FOI EMBORA

É… Perdemos o jogo…

E o Brasil foi embora!

Foi-se embora a copa e o sonho… Mas qual sonho?

Não saímos da copa no jogo contra a Noruega! Tínhamos saído bem antes, quando perdemos de 7x 1 para a Alemanha. Quando quase ficamos fora do torneio com uma péssima campanha nas eliminatórias.

Não temos mais um futebol ofensivo e vistoso. O futebol brasileiro não contagia mais! O futebol brasileiro não empolga!

Foi-se há muito tempo o que chamávamos de futebol brasileiro.

Não há mais dribles desconcertantes aos montes!

Não há mais especialistas em cobranças de falta.

Quase nunca se chuta de longe!

O que aconteceu com o nosso futebol?

Os gênios da bola já não existem na seleção!

Perdemos a garra, o brilho, o viço…

Perdemos a ginga, a criatividade e a ousadia!

Africanos, asiáticos e, sobretudo, europeus, evoluíram significativamente…

O Brasil? Parou no tempo e vive das sombras e das glórias do passado!

Além disso, os interesses políticos e financeiros, como as malfadadas BETS, ajudaram a arruinar ainda mais o cenário já
desastroso.

Costuma-se dizer que não existe mais bobo no futebol, mas, infelizmente, tenho que discordar. Nós somos os bobos! Jogamos de forma lenta e previsível. Não temos a disciplina tática e deixamos de ter o nosso diferencial: a improvisação!

O final da partida, com a atitude infantil de Neymar, foi uma melancólica cena final de um dramalhão mexicano.

Destemperado, o camisa 10 não correu para o meio de campo para recomeçar a partida e tentar o milagre. Ao contrário, preferiu bater boca com o goleiro e gastar o escasso tempo!

E perdemos o jogo, o respeito e a nossa própria imagem!

Resta, agora, tirar a chamada lição. Uma lição de humildade e de reinvenção! E a reinvenção é urgente!

Pendurar as chuteiras? Isso não pode ser feito porque a amarelinha já escreveu uma história que não pode parar!

Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.

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